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7/2/14

Portuguese stone pavement - "If we do not protect this piece of culture then there will have been worth» / Calçada portuguesa - «Se não protegermos este pedaço de cultura então não terá valido a pena»

«A Calçada Portuguesa - uma Arte em Extinção» foi o tema em debate na Feira Internacional do Artesanato (FIA). No encontro, o investigador Justino Brito, abordou a importância da preservação da calçada ancorando-se no «legado que os nossos antepassados nos deixaram». «A história não se repete e se não protegermos este pedaço de cultura então não terá valido a pena», vincou.

Justino Brito recordou que a calçada portuguesa é «uma herança dos romanos», tendo sido «a conciliação da técnica do empedrado com o desenho e a sombra de influência oriental», factores que «personalizaram esta arte».

«Quis o destino que Lisboa mudasse a sua face e, após o terramoto de 1755, na reconstrução pombalina, o preto e o branco invadiram as ruas da cidade e embelezaram com tanta arte que a sua fama atravessou fronteiras», realçou o especialista, adiantando que «rapidamente esta arte alastrou-se por outras cidades tornando-se um símbolo de identidade nacional».

Na sua apresentação, Justino Brito começou por revelar aos presentes na conferência, imagens de mosaicos romanos para recordar de seguida como tudo começou na história da calçada portuguesa. 

«Tivemos muitos bons professores em calçada em Portugal, refiro-me aos romanos. O mosaico romano podia ser contemplado nas estradas ou nos pátios das casas», afirmou, mostrando ao mesmo tempo um exemplar na localidade em Milreu, em Faro, numas ruínas romanas, existindo exemplares semelhantes em Conímbriga.

A principal obra da calçada portuguesa, informa Justino Brito, aconteceu depois do terramoto de 1755. «O primeiro trabalho, que pode ainda hoje ser contemplado, encontra-se na Avenida da República, e designa-se por ‘Ziguezague’ e é o desenho da primeira calçada de Lisboa», tendo sido feita no regimento de sapadores do Castelo de São Jorge, em 1845, pelo comandante Eusébio Fortunato.

O investigador justifica ser este (o Terramoto) o marco do grande desenvolvimento da calçada portuguesa visto Lisboa «ter ficado completamente destruída». «O desastre foi tal a cidade ficou de luto para sempre. As cores branco e preto da capital representam o luto para sempre, visível por exemplo, na bandeira da cidade», lembra.

Depois da primeira calçada muitas outras se replicaram por pelo país fora tendo isto transformado «toda a imagem que demos aos lisboetas mas também aos visitantes».

Justino Brito aludiu, depois, à calçada com a forma ondulada do mar. «A nossa Marinha chama onda larga à onda do oceano. O mar português, o mar desconhecido como cantou Camões “por mares nunca dantes navegados”. Este é o mar largo representado no Rossio, em Lisboa», disse, lembrando que «a perspectiva do cidadão junto a esses exemplares varia consoante a posição, parecendo muitas vezes que o mar se mexe».

«A História não se repete»:
Um facto curioso, lembrou, é o de esta calçada do mar largo no Rossio ter sido feita por prisioneiros, por volta de 1850. «Vinham da prisão do Limoeiro, perto do castelo de São Jorge».

«Em 1900 a cidade do Rio de Janeiro pediu à câmara de Lisboa ajuda para fazer uma escola de calceteiros do outro lado do Atlântico. Foram 30 calceteiros de Lisboa, levaram pedra e repetiram a primeira calçada do mar largo de Lisboa no Rio de Janeiro, sendo actualmente um dos símbolos maiores daquela cidade brasileira», referiu.

E vincou «esta ideia de unir a cidade de Lisboa com a do Rio pelo mar que os portugueses descobriram, numa autêntica história poética. Muitos portugueses e brasileiros desconhecem este facto e isso é terrível».

Réplicas deste mar largo podem hoje ser contempladas na baía de Luanda (Angola), em Macau e na cidade de Alicante (Espanha).

Justino Brito recordou ainda muitas marcas deixadas na calçada portuguesa, a maioria visíveis na Avenida da Liberdade, onde as temáticas são nesta zona da cidade mais ornamentais do que românticas, ao contrário da baixa pombalina.

«Há coisas que não se repetem, sobretudo na história, e uma delas é a assinatura dos calceteiros, que faziam questão de vincar o seu trabalho com flores, estrelas e círculos, por exemplo», informou.

Por tudo isto, o especialista considerou fundamental a preservação da calçada ancorando-se no «legado que os nossos antepassados nos deixaram».

«A história não se repete e se não protegermos este pedaço de cultura então não terá valido a pena», rematou

Recorde-se que Justino Brito tem desenvolvido nos últimos anos vários trabalhos na área da calçada portuguesa sendo actualmente o presidente da direcção da Associação dos Artesãos da Região de Lisboa.

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