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20/08/18

Projetos Roc2c I *Benebike*


Preenchimento das letras em calçada

A arte das pedras da calçada feita pelos Mestres Calceteiros


Detalhes

Contornos da letra " e "


Trabalho finalizado com todos os detalhes e pormenores






Local: Benedita, Portugal

All Photos: ©Roc2c






07/05/18

"Calçadas de pedra do Recife têm origem em tradição portuguesa"

"As primeiras calçadas de pedra da cidade eram feitas com material vindo de Portugal, depois substituído por pedras nacionais"


Calçadas desenhadas da Avenida Marquês de Olinda, no Bairro do Recife
Photo: © Ashlley Melo/Acervo JC Imagem


Cleide Alves
cleide@jc.com.br


"A reforma do Bairro do Recife, no princípio do século 20, trouxe para a capital pernambucana uma nova maneira de se fazer calçadas: revestir o passeio com pedras de core diferentes formando desenhos, semelhantes às ruas de Lisboa. Assim como a técnica do mosaico era importada de Portugal, as pedras também vinham de além-mar, dando origem às calçadas de pedra portuguesa do Recife.

Remendadas aqui, maltratadas ali, as calçadas de pedra ainda existem e podem ser vistas no Bairro do Recife, algumas possivelmente com peças originais em seus desenhos de corações, flor-de-lis e liras. Ao longo dos anos, a prefeitura teve de recorrer a material nacional similar para fazer as correções de desgastes provocados pelo tempo e pelos pés de tantas gerações que imprimiram suas marcas nos caminhos de pedra da cidade.


Leia Também

Prefeitura recupera calçadas de pedra na Avenida Rui Barbosa 


As pedras calcárias de origem portuguesa, quebradas para montar os mosaicos, foram usadas nas calçadas do Recife apenas nas primeiras décadas do século 20, informa o arquiteto José Luiz Mota Menezes. Em 1969, ao promover o Concurso de Projeto para Revestimento dos Passeios Públicos da capital, a prefeitura resgata e leva para outras áreas da cidade a técnica do mosaico português, baseada nos modelos existentes no Bairro do Recife.

Porém, o revestimento é outro: pedras mineiras, produzidas em Minas Gerais e parecidas com as portuguesas, ou graníticas, diz a arquiteta Vera Freire, gerente geral de Projetos Urbanos da Autarquia de Urbanização do Recife (URB). A pedra granítica não é lisa como a portuguesa e a mineira.

Desenhos com tema floral, criados pelo arquiteto pernambucano Geraldo Santana, segundo lugar no concurso, passaram a estampar calçadas de pedra do Banco do Brasil e da Praça Ascenso Ferreira, na Avenida Rio Branco, Bairro do Recife; das Ruas Nova (Santo Antônio) e da Imperatriz (Boa Vista), hoje substituídas por blocos intertravados de concreto; e da Academia Pernambucana de Letras, nas Graças, Zona Norte.


ORIGEM

A origem dos passeios históricos da cidade foi recuperada pela URB, em 2000, na publicação Caminhos de Pedra – Calçadas do Bairro Recife, com textos, fotos e ilustrações. Dezoito anos depois, parte dos desenhos se perdeu ou está avariada. O losango com a estrela de Salomão, na calçada do Centro Cultural Bandepe (Centro Cultural Santander e atualmente ocupado pela empresa In Loco), não existe mais.

Mosaicos das calçadas de pedra da Rua Dona Maria César (detalhes de um padrão da Rio Branco), Rua do Bom Jesus (ramagens), Avenida Marquês de Olinda (mandalas e flor-de- lótus) e Avenida Rio Branco (ramos, folhagens, hastes, ramagens), entre outras, são destruídos por tampas de caixas de esgoto e telefonia, postes e luminárias.

Além dos passeios desenhados, a cidade tem outras calçadas de pedra portuguesa, mais velhos que os mosaicos. São os calçamentos feitos com pedra de lioz (calcária), também chamada de pedra de rio, que vinha de Portugal como lastro de navio, acrescenta o arquiteto José Luiz Mota Menezes.

“As pedras são maiores, lajes, que cobriam as calçadas do Ginásio Pernambucano (hoje modificada) e são encontradas na frente da Assembleia Legislativa, construções do século 19 na Rua da Aurora”, observa. No Recife Antigo, o piso de lioz está preservado na Rua do Bom Jesus, ao lado de uma calçada mais recente, de pedra mineira."


Notícia retirada do NE10

16/03/18

Sugestão de Fim de Semana: Évora, Alentejo





   Évora é uma cidade considerada Património Mundial pela UNESCO. As suas muralhas guardam ruas e edifícios praticamente inalterados ao longo dos séculos. Uma herança histórica e cultural que atrai cada vez mais visitantes nacionais e estrangeiros. 

   Por ser tão diferenciada na sua riqueza em marcos patrimoniais faz com que este lugar seja ideal para visitar sozinho, com a família, amigos ou numa viagem romântica a dois.

Antigo Templo romano de Évora (Templo de Diana)
© Roc2c



  


   Évora is a UNESCO World Heritage Site. Its walls keep streets and buildings virtually unchanged over the centuries. A historical and cultural wealth which attracts more and more national visitors and foreigners.


   Because it is so differentiated in its richness in patrimonial makes this place ideal for visiting alone, with the family, friends or on a trip romantic to two.

Centro histórico, Évora
© Roc2c

08/01/18

Templo de Santa Luzia, Viana do Castelo / Temple of Santa Luzia, Viana do Castelo

   Nestas fotografias por nós captadas vemos a mais completa e fantástica relação da Natureza com o trabalho humano, que faz deste Templo-Monumento de Santa Luzia em Viana do Castelo uma joia fascinante do nosso país.
   In these photographs we can see the most complete and fantastic relationship of Nature with human work, which makes this Temple-Monument of Santa Luzia in Viana do Castelo a fascinating jewel of our country.



Basílica de Santa Luzia, Viana do Castelo
© Roc2c 

Jardim da Basílica de Santa Luzia
© Roc2c 


   A conhecida “Princesa do Lima” está numa posição verdadeiramente deslumbrante pois, lá do alto, ela consegue vislumbrar a longa extensão das serras, o belo vale do Rio Lima e por entre toda esta natureza, os “pontos escuros” das casas e casebres.
   The well-known "Princess of Lima" is in a truly gorgeous position because, up there, she can glimpse the long range of the mountains, the beautiful valley of the Lima River and among all this nature, the “dark spots” of houses and hovels.




Vista para o Rio Lima, Viana do Castelo
© Roc2c 


   A Basílica de Santa Luzia foi começada em 1903 e a sua construção termina em 1943, projeto do arquiteto Miguel Ventura Terra, que conta com apontamentos neo-românticos e bizantinos e que foi visivelmente inspirada na Basílica de Sacré Coeur de Montmartre em Paris. Porém, a estátua de bronze do coração de Jesus, que está na entrada do Templo, é da autoria do escultor Aleixo Queirós Ribeiro, datada de 1898. 

   The Basilica of Santa Luzia was begun in 1903 and its construction finishes in 1943, project of the architect Miguel Ventura Terra, with features neo-romantic and Byzantine notes and it was visibly inspired by the Basilica of Sacré Coeur of Montmartre in Paris. However, the bronze statue of Jesus Heart, which is at the entrance of the Temple, was made by the sculptor Aleixo Queirós Ribeiro, dated 1898.
   


Estátua de bronze do Coração de Jesus
© Roc2c


   Toda a zona envolvente tem um empedrado em granito que juntamente com a estrada de acesso em Calçada Portuguesa e a verdejante e colorida natureza que rodeia este templo sagrado, faz deste local um dos destinos mais ricos de Portugal.

  All the surrounding area has a granite pavement that along with the access road in Portuguese Cobblestone and the green and colorful nature that surrounds this sacred temple, makes this place one of the richest destinations in Portugal.



Calçada Portuguesa, empedrado em granito
© Roc2c

Calçada Portuguesa
© Roc2c

01/01/18

O começo de um Novo Ano / The beginning of a New Year

   O começo de um Novo Ano é sempre sinónimo de um virar de página, um início de um novo capítulo. Contudo, para a Roc2c é sinónimo de continuação. Continuação dos grandes projetos, do excelente profissionalismo e da mestria com que abraçamos todos os nossos trabalhos. Para a marca, Roc2c, e para todos os colaboradores, o foco foi, é e sempre será a completa satisfação dos nossos clientes e parceiros, assim como o elevado nível de qualidade dos nossos projetos.

   Que o Novo Ano de 2018 traga a todos muito sucesso e novas realizações, tanto pessoais como profissionais.

Muito obrigado a todos, Bom Ano 2018

Roc2c



   The beginning of a New Year is always synonymous of a page turn, the beginning of a new chapter. However, for Roc2c it is synonymous of continuation. Continuation of the great projects, the excellent professionalism and the mastery which we embrace all our works. For the brand, Roc2c, and for all employees, the focus was, it is and it always will be the complete satisfaction of our customers and partners, as well as the high level of quality of our projects.


   May the New Year 2018 bring a lot of success and new accomplishments, both personal and professional.

Thank you very much to all, Good Year 2018

Roc2c




  

30/12/17

"Calçada do Cacau. Chocolate tão português como as pedrinhas da calçada"

Calçada do Cacau
© Manuel Manso


"   Foi quando passou pela calçada de Vhils que imita o retrato de Amália, em Alfama, que caiu a ficha a Diogo Damião: a chocolataria que queria abrir em Lisboa havia de ter uma relação qualquer com a calçada. Afinal, as cores daquele mural são as que se podem encontrar nas variedade de chocolate artesanal - o branco, o preto e um tom intermédio. Mais ou menos um ano depois (com muita burocracia pelo meio) abriu a Calçada do Cacau no Campo de Santa Clara, onde o chocolate parece pedras do pavimento português em miniatura.

   Assim como este pavimento público é português, também os ingredientes que Diogo adiciona ao chocolate, nos cubinhos que se vêem na primeira vitrine, são portugueses. Um quadro na parede não deixa dúvidas e revela origens surpreendentes para ingredientes como os amendoins, que vêm da Costa Vicentina, e outras mais esperadas, como o maracujá da madeira ou os figos de Trás-os-Montes.

   Diogo, que fez várias formações sobre o chocolate e trabalhou na fábrica dos Chocolates de Beatriz, em Odemira, andou a fazer uma pesquisa intensiva por pequenos produtores para chegar a estes ingredientes nacionais, que se juntam a cacau vindo principalmente da América do Sul, mas também de África. Os blends são feitos aqui na loja, numa sala ao fundo, envidraçada, para que, quando o chocolateiro está a trabalhar seja tudo visível, sem segredos.

Ao fundo, a sala envidraçada onde Diogo faz o chocolate
© Manuel Manso


   Os 15 sabores em cubitos (0,75€/cada, ou em caixas de nove – 7,75€ – ou de 16 – 13€) são as estrelas da casa, a que se juntam pequenas tabletes, um bolo de chocolate semelhante a um brownie e os chocolates quentes (de leite ou 100% cacau venezuelano).

   Com dois centímetros de lado, geometricamente arrumados no balcão, são as pedras da calçada possíveis, sem mistura de manteigas ou natas – apenas os óleos de alguns frutos secos que dão sabor a esta espécie de bombons: há pinhão, amêndoa, noz, ou avelã. Alguns destes óleos chegam a ser mais caros do que a manteiga de cacau. Os chocolates ficam assim mais saudáveis, sobretudo em sabores como o mel, em que não há açúcares a adoçar a boca – só cacau e mel. “Preferimos que o custo seja mais elevado mas que faça a diferença. Isto [o facto de não terem manteiga ou natas] tem um duplo benefício porque têm maior data de validade: dois meses”, explica Diogo, que está a pensar em sabores especiais para cada época. Promete para breve, ainda este Inverno, um chocolate com queijo da Serra, e para a Primavera talvez algo com flores ou lavanda.

   Juntamente com Margarida, Diogo pode passar uma tarde a falar estrangeiro, ao balcão. Entram muitos turistas, mas cada vez mais portugueses recomendados por alguém que entrou na casa e que é ali de Alfama ou da Graça. “É engraçado porque os portugueses sabem apreciar os chocolates. Tal como o vinho, têm notas diferentes e às vezes damos dois 100% a provar e, sem dizermos nada, sabem dizer que um sabe mais a café, por exemplo”.

Cubitos de pinhão, flor de sal e mel
© Manuel Manso


   Diogo diz que ao abrir a Calçada do Cacau tem a intenção pedagógica de mostrar estas tonalidades dos chocolates de diferentes regiões e de como se podem casar com produtos como o vinho o Porto da Quinta do Noval, chás da Companhia Portugueza do Chá, ou cervejas da Dois Corvos. Em breve haverá uma carta onde se sugerem harmonizações entre chocolates e estas e outras bebidas, de um tawny harmonizado com chocolate de frutos secos a uma milk stout casada com chocolate de leite.

Campo de Santa Clara, 57 (Alfama), 21 887 3155, Ter-Qui 10.00-19.00, Sex-Sáb 10.00-20.00, Dom 10.00-17.00. "

15/12/17

Cristalizações

Cristalizações

"Faz frio. Mas, depois duns dias de aguaceiros,
Vibra uma imensa claridade crua.

De cócoras, em linha, os calceteiros,

Com lentidão, terrosos e grosseiros,

Calçam de lado a lado a longa rua.


Como as elevações secaram do relento,
E o descoberto sol abafa e cria!
A frialdade exige o movimento;
E as poças de água, como em chão vidrento,
Reflectem a molhada casaria.


Em pé e perna, dando aos rins que a marcha agita,
Disseminadas, gritam as peixeiras;
Luzem, aquecem na manhã bonita,
Uns barracões de gente pobrezita
E uns quintalórios velhos com parreiras.


Não se ouvem aves; nem o choro duma nora!
Tomam por outra parte os viandantes;
E o ferro e a pedra — que união sonora! — 
Retinem alto pelo espaço fora,
Com choques rijos, ásperos, cantantes.


Bom tempo. E os rapagões, morosos, duros, baços,
Cuja coluna nunca se endireita,

Partem penedos; cruzam-se estilhaços.

Pesam enormemente os grossos maços,

Com que outros batem a calçada feita.

A sua barba agreste! A lã dos seus barretes!
Que espessos forros! Numa das regueiras

Acamam-se as japonas, os coletes;

E eles descalçam com os picaretes,

Que ferem lume sobre pederneiras.


E nesse rude mês, que não consente as flores,
Fundeiam, como esquadra em fria paz,
As árvores despidas. Sóbrias cores!
Mastros, enxárcias, vergas! Valadores
Atiram terra com as largas pás.


Eu julgo-me no Norte, ao frio — o grande agente! —
Carros de mão, que chiam carregados,
Conduzem saibro, vagarosamente;
Vê-se a cidade, mercantil, contente:
Madeiras, águas, multidões, telhados!

Negrejam os quintais, enxuga a alvenaria;
Em arco, sem as nuvens flutuantes,
O céu renova a tinta corredia;
E os charcos brilham tanto, que eu diria
Ter ante mim lagoas de brilhantes!


E engelhem, muito embora, os fracos, os tolhidos,
Eu tudo encontro alegremente exacto.
Lavo, refresco, limpo os meus sentidos.
E tangem-me, excitados, sacudidos,
O tacto, a vista, o ouvido, o gosto, o olfacto!

 
Pede-me o corpo inteiro esforços na friagem
De tão lavada e igual temperatura!
Os ares, o caminho, a luz reagem;
Cheira-me a fogo, a sílex, a ferragem;
Sabe-me a campo, a lenha, a agricultura.


Mal encarado e negro, um pára enquanto eu passo;
Dois assobiam, altas as marretas

Possantes, grossas, temperadas de aço;

E um gordo, o mestre, com um ar ralaço

E manso, tira o nível das valetas.


Homens de carga! Assim as bestas vão curvadas!
Que vida tão custosa! Que diabo!

E os cavadores pousam as enxadas,

E cospem nas calosas mãos gretadas,

Para que não lhes escorregue o cabo.


Povo! No pano cru rasgado das camisas
Uma bandeira penso que transluz!
Com ela sofres, bebes, agonizas;
Listrões de vinho lançam-lhe divisas,
E os suspensórios traçam-lhe uma cruz!


De escuro, bruscamente, ao cimo da barroca,
Surge um perfil direito que se aguça;
E ar matinal de quem saiu da toca,
Uma figura fina, desemboca,
Toda abafada num casaco à russa.


Donde ela vem! A actriz que tanto cumprimento
E a quem, à noite na plateia, atraio
Os olhos lisos como polimento!
Com seu rostinho estreito, friorento,
Caminha agora para o seu ensaio.


E aos outros eu admiro os dorsos, os costados
Como lajões. Os bons trabalhadores!
Os filhos das lezírias, dos montados:
Os das planícies, altos, aprumados;
Os das montanhas, baixos, trepadores!


Mas fina de feições, o queixo hostil, distinto,
Furtiva a tiritar em suas peles,
Espanta-me a actrizita que hoje pinto,
Neste Dezembro enérgico, sucinto,
E nestes sítios suburbanos, reles!


Como animais comuns, que uma picada esquente,
Eles, bovinos, másculos, ossudos,
Encaram-na sanguínea, brutamente:
E ela vacila, hesita, impaciente
Sobre as botinhas de tacões agudos.


Porém, desempenhando o seu papel na peça, 
Sem que inda o público a passagem abra,
O demonico arrisca-se, atravessa
Covas, entulhos, lamaçais, depressa,
Com seus pezinhos rápidos, de cabra!"

In O livro de Cesário Verde



Cesário Verde
© Wiki Educação


Os Ourives do Chão na poesia do século XIX- Cristalizações de Cesário Verde

Em pleno século XIX, Lisboa estava a viver um período intenso de urbanização e um dos pontos fortes foi o calcetamento das principais ruas e avenidas da cidade para que a cidade tivesse ao nível do seu nome- Lisboa, Capital de um Império.

Artistas e escritores que viveram nesta época presenciaram e transmitiram-nos a imagem de uma cidade totalmente em expansão. Estas pessoas registaram o trabalho daqueles que embelezavam as ruas , avenidas e praças com tapetes de pedra e tornavam Lisboa cada vez mais cosmopolita e agradável de se viver- os Calceteiros.

Neste poema, Cesário Verde foi uma testemunha privilegiada destes Ourives do Chão, tão importantes para a evolução da cidade. Cesário Verde dá-nos uma visão muito realista do trabalho dos calceteiros pois ele deambula e passeia entre eles e vai descrevendo todas as ações e sensações que os trabalhadores transmitem enquanto pavimentam as ruas.

Vemos em vários excertos do poema (excertos a negrito) a descrição e análises de Cesário Verde perante as condições de vida e de trabalho dos calceteiros desta época, trazendo até nós os testemunhos de quem viveu e conviveu com os ourives do chão.

Na quinta estrofe, Cesário Verde faz uma fantástica referência às três fases do assentamento. Primeira fase, existem os cortadores, aqueles que cortam a pedra e formam-na para a colocação no tapete do chão “Partem penedos; cruzam-se estilhaços”, de seguida surgem os calceteiros, aqueles “rapagões, morosos, duros, baços” devido ao esforço despendido e a posição que os calceteiros têm ao assentar todas as pedrinhas, fazem com que “Cuja coluna nunca se endireite”. Por último os batedores, que fixam as pedras corretamente colocadas no chão com os tradicionais maços “Pesam enormemente os grossos maços/ Com que outros batem a calçada feita.”

Contudo, existe uma técnica de acabamento da pedra calcetada mais recente e mais moderno. Técnica esta que só é usada em calçadas interiores, falamos do polimento, que torna a pedra mais brilhante e com um embelezamento especial.
 
Goldsmith of the floor in the nineteenth century poetry- Crystallizations by Cesário Verde

In the middle of the 19th century, Lisbon was experiencing an intense period of urbanization and one of the strengths were the pavement of the main streets and avenues of the city so that the city had its name - Lisbon, Capital of an Empire.

Artists and writers who lived in this time witnessed and transmitted to us the image of a city that is in full expansion. These people recorded the work of those who embellished the streets, avenues and squares with stone rugs and made Lisbon more and more cosmopolitan and pleasant to live in - the Portuguese Pavement Craftsmen.

In this poem, Cesário Verde was a privileged witness of these goldsmiths of the floor, so important for the city evolution. Cesário Verde gives us a very realistic view of the work of the portuguese pavement craftsmen because he wanders and walks among them and he goes on to describe all the actions and sensations that the workers transmit while they are paving the streets.

We see in several excerpts of the poem (excerpts in bold) the description and the analysis of Cesário Verde towards the life and work conditions of the pavement craftsmen of this time, bringing to us the evidences of those who lived with the goldsmiths of the floor.


In the fifth verse, Cesário Verde makes a fantastic reference to the three phases of the settlement. First phase, there are the cutters, those who cut the stone and form it for the placement on the floor “Partem penedos; cruzam-se estilhaços”, then the Portuguese Pavement Craftsmen appear, those “rapagões, morosos, duros, baços” due to the effort expended and the position that the workers have when setting all the pebbles, cause that “Cuja coluna nunca se endireite”. Finally the batters, who fix the stones correctly placed on the floor with the traditional mallets “Pesam enormemente os grossos maços/ Com que outros batem a calçada feita.”

However, there is a newer and more modern finishing technique for the cobble stone. This technique is only used on interior sidewalks, we speak of polishing, which makes the stone brighter and with a special embellishment.






1ª Fase - Cortador
© Roc2c



   
  
2ª Fase - Calceteiros
© Roc2c


3ª Fase - Batedores
© Roc2c

04/12/17

Palavras com História / Words With History

           No episódio 18 do programa «Cuidado com a Língua»transmitido na RTP1 no dia 27 de Novembro de 2017, a Calçada Portuguesa foi a personagem principal. Neste episódio houve uma ligação muito forte entre a arte da calçada e a arte de falar português.





A Calçada Portuguesa na Praça do Município em Lisboa

            "A palavra espinhado que significa em espinha é da família de espinha. Provém do latim com o significado de espinheiro (planta), roseira brava, espinha dorsal, coluna vertebral. No plural já no latim spina significava vícios, defeitos, rodeios, subtilezas.
            Neste caso, o termo espinhado diz respeito a um dos vários estilos e temáticas decorativas que existem na arte da Calçada Portuguesa.


Praça do Município - Lisboa
© Roc2c

         O General Eusébio Pinheiro Furtado que foi governador do Castelo de São Jorge em Lisboa entre 1840 e 1846 foi quem decidiu pavimentar a fortaleza lisboeta com pedras de calcário branco cortadas a espaços por outras de basalto negro. Estas pedras foram colocadas por presidiários da altura, a quem chamavam grilhetas ou calcetas. Reza a história que a cidade em romaria subiu à sua colina fortificada para admirar o mosaico que os cativos tinham assentado. A Câmara de Lisboa gostou tanto do trabalho que replicou a ideia no Rossio em 1848, desta vez utilizando o calcário vidraço. Trata-se de outro tipo de calcário, branco e negro, num desenho inspirado nos Descobrimentos. Foi dado o nome de Mar Largo por representar as ondas do mar, cuja travessia levou os navegadores portugueses a ultrapassar o Cabo das Tormentas e a chegar ao Brasil. Durante os primeiros anos do século XX a calçada foi cobrindo Lisboa até ao Marquês de Pombal.


Rossio - Lisboa
© Roc2c

Palavras com História

         O calçadão na praia de Copacabana no Rio de Janeiro com a composição e o desenho da Calçada Portuguesa deu-se a conhecer ao mundo em 1942 com o filme “Saludos Amigos” de Walt Disney, quando o Zé Carioca e o Pato Donald dançaram a “Aguarela do Brasil” com Maria do Carmo Miranda da Cunha, uma portuguesa de Marco de Canaveses, conhecida para sempre como Carmem Miranda.

          Calçadão é o aumentativo do substantivo calçada precisamente pela sua extensão e grande largura no Brasil. O calçadão do Rio de Janeiro é a grande obra emblemática de Calçada Portuguesa.  Foi mandado fazer em 1906 e tem 4,15 quilómetros. Inicialmente as ondas nele representadas eram perpendiculares ao comprimento da calçada mas com a reforma da década de 70 ganharam o sentido atual, paralelo ao comprimento da calçada e às ondas do mar.
As pedras aí utilizadas foram importadas de Portugal, também de Portugal seguiu um grupo de calceteiros para proceder à aplicação da calçada. A palavra calceteiro designa o operário que aplica calçada em ruas. Formou-se do verbo calcetar que vem da palavra calceta, originária do latim.

            Calceta é da família das palavras calças e calçado. Originariamente os romanos não usavam nem meias nem calças e aprenderam com os germanos, que estavam habituados a um clima mais frio, a usar essas peças de vestuário. Designaram então as calças com a palavra usada para designar o calçado, o sapato mas no feminino.
Com o passar dos tempos as calças tornaram-se mais compridas até cobrir o corpo dos pés à cintura. No século XVI, as calças dividiram-se em duas partes, aquela que cobria a barriga e as coxas manteve o mesmo nome, calças ou calça e a que cobria as pernas e o pé passou a chamar-se meia calça e depois apenas meia com a elipse da palavra calça.

       A palavra calceta entrou no Português no final do século XVI, proveniente do espanhol. Designava uma argola de ferro fixada no tornozelo do prisioneiro e ligada à sua cintura por meio de uma corrente de ferro. Tal como as calças, a calceta ia da cintura ao tornozelo. Por extensão de sentido, a palavra calceta passou a designar o próprio prisioneiro e em Portugal, no século XIX começaram por ser os presos denominados de grilhetas ou calcetas que se ocupavam do calcetamento das ruas e assim se formou o verbo calcetar da palavra calceta.

          Um maço é um instrumento formado por um bloco de madeira dura, geralmente com a forma de um paralelepípedo encavado ao meio para usos semelhantes ao do martelo. Trata-se de um pilão usado pelos calceteiros para bater a pedra até ela ficar bem presa ao chão.

        Maço provém da palavra maça que também designa esse mesmo instrumento usado pelos calceteiros. Servia também para bater ou maçar o linho, designando ainda um pau bastante pesado, mais grosso numa das extremidades outrora usado como arma. Maçar significa não só bater com o maço ou maça como, em sentido figurado, enfadar com uma conversa longa, aborrecer, incomodar.


Maço e martelo
© Roc2c

            Calçar tanto quer dizer revestir os pés de sapatos ou as mãos de luvas, como no caso que aqui nos trouxe, significa pavimentar ruas ou passeios, ou seja, calcetar.
Calçada é o particípio passado substantivado do verbo calçar, com o significado de calcetar. Formou-se o substantivo calçada com o sentido que aqui vemos, o pavimento formado por pequenos elementos de pedra. Por sua vez, a palavra latina que significava calçada é da família de calcanhar e de calcar, no sentido de pisar com os pés.

            A palavra releixo é um regionalismo que designa o ato ou efeito de releixar que é exatamente o mesmo que relaxar. Relaxar significa tornar frouxo, diminuir a tensão. A pedra deixada com releixo na calçada quando está a ser feita, ainda não está bem presa. A palavra relaxar adquire também o significado de descontrair, condescender, enfraquecer ou afrouxar. Por isso o substantivo releixo também significa desleixo, desmazelo.

            A palavra pedra tem origem no latim com o mesmo significado. Da família de pedra é o nome Pedro. No Evangelho Segundo São Mateus, refere-se que Cristo terá dito a Pedro, seu Apóstolo, nomeando-o fundador da sua Igreja, «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

       Litologia é a descrição das características físicas das rochas como a cor, a estrutura, os componentes minerais e o tamanho do grão. Os elementos de formação da palavra são de origem grega e significam pedra e estudo. Também se denomina Petrografia com origem no latim."




In the eighteen episode of the program «Cuidado com a Língua» broadcast in RTP1 on November 27, 2017, the Portuguese Cobblestone was the main character. In this episode there was a very strong connection between the art of the pavement and the art of speaking Portuguese.

The Portuguese Cobblestone in the Town Hall Square in Lisbon

            The espinhado word that means espinha is from the spine family. It comes from Latin with the meaning of hawthorn (plant), wild rose, backbone, spine. In the plural already in Latin it meant vices, defects, detours, subtleties.
In this case, the term espinhado refers to one of several styles and decorative themes that exist in the art of the Portuguese Cobblestone.

           General Eusebio Pinheiro Furtado who was governor of São Jorge Castle in Lisbon between 1840 and 1846 was who decided to pave the Lisbon fortress with white limestone stones cut by spaces for others of black basalt. These stones were placed by prisoners of this time, who were called grilhetas or calcetas. The history tells us that the city in pilgrimage ascended its fortified hill to admire the mosaic that the captives had settled. The Lisbon Council liked the work so much that it replicated the idea in Rossio in 1848, this time using limestone glass. This is another type of limestone, black and white, in a design inspired by the Discoveries. It was named Wide Sea because it represented the waves of the sea, whose crossing led the Portuguese navigators to cross the Cape of Storms and arrived in Brazil. During the first years of the twentieth century the portuguese pavement was covering Lisbon until the Marquis of Pombal.


Castelo de São Jorge - Lisboa
© Castelo de S. Jorge


Words With History

            The pavement on Copacabana beach in Rio de Janeiro with the composition and design of the Portuguese Cobblestone was made known to the world in 1942 with the film "Saludos Amigos" by Walt Disney, when Zé Carioca and Donald Duck danced the "Aguarela do Brasil "with Maria do Carmo Miranda da Cunha, a Portuguese from Marco de Canaveses, known forever as Carmem Miranda.

            Calçadão is the augmentative of the noun calçada, precisely by its extension and great width in Brazil. The pavement of Rio de Janeiro is the great emblematic work of Portuguese Pavement. It was ordered in 1906 and it has 4.15 kilometers. In the begginning the waves represented in it were perpendicular to the length of the pavement but with the reform of the 1970s they gained the current meaning, parallel to the length of the pavement and the sea waves.
The stones used there were imported from Portugal, from Portugal also followed a group of Portuguese Pavement Craftsmen to proceed with the pavement application. The word calceteiro  means the worker who applies pavement in streets. It was formed from the verb calcetar that comes from the word calceta, originating from Latin.


Pavement on Copacabana Beach in Rio de Janeiro
© VOGUE
          
           Calceta is from the family of the words calças and calçado. Originally the Romans wore neither socks nor trousers and learned from the Germans, who were accustomed to a colder climate, to wear these clothes. Then they designated the pants with the word used to designate the footwear, the shoe but in the female. Over time, the trousers have become longer until they reach the waist. In the sixteenth century, the trousers were divided into two parts, the one that covered the belly and the thighs kept the same name, pants and the other that covered the legs and the foot was called pantyhose and then only hose with the ellipse of the word pants.

            The word calceta get in the Portuguese language in the late sixteenth century, coming from Spanish. It meant an iron ring attached to the ankle of the prisoner and attached to his waist by an iron chain. Like the trousers, hose ran from waist to ankle. By extension of meaning, the word calceta came to designate the prisoner and in Portugal, in the nineteenth century began as the prisoners called grilhetas or calcetas that were busy with the streets pavement and thus it was formed the verb calcetar of the word calceta.

            Maço is an instrument made up of a hardwood block, usually with a parallelepiped form bundled in half for uses similar of the hammer. This is a pylon used by Portuguese pavement craftsmen to hit the stone until it is securely attached to the ground.

          Maço comes from the word maça and it also means the same instrument used by the portuguese pavement craftsmen. It also served to beat or flay the flax, it is also a rather heavy, thicker stick at one side and it was once used as a weapon. Maçar means not only striking with the maço or maça, but figuratively, boring with long talk and annoying.

            Calçar means coating the feet of shoes or the hands of gloves, or in the case that brought us here,it means to pave streets or walks, that is, calcetar. Calçada is the past participle of the verb calçar, meaning of calcetar. The noun calçada was formed with the meaning we see here, the pavement formed by small stone elements. In turn, the Latin word that meant calçada is of the family of calcanhar and calcar, in the sense of treading with the feet.

            The word releixo is a regionalism that designates the act or effect of releixar that is exactly the same as relaxar. Relaxar means becoming loose, lessening tension. The stone left with releixo on the pavement when it is being made it is still not well secured. The word relaxar also acquires the meaning of relaxing, condescending, weakening or loosening. That is why the noun also means slovenliness, sloppiness.

            The word pedra comes from Latin with the same meaning. Of the pedra family is the name Pedro. In the Gospel According to St. Matthew, Christ has said to Pedro, his Apostle, naming him the founder of his Church, "You are Peter and on this rock I will build my Church.

         Lithology is the description of the physical characteristics of the rocks as the color, the structure, the mineral components and the size of the grain. The elements of formation of the word are of Greek origin and signify pedra and estudo. Also called Petrography with origin in Latin.