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Lisboa de Antigamente | “O Calceteiro, Arte a Branco e Preto”

"Faz frio. Mas, depois duns dias de aguaceiros,  Vibra uma imensa claridade crua.  De cócoras, em linha, os calceteiros,  Com lentidão, terrosos e grosseiros,  Calçam de lado a lado a longa rua. Como as elevações secaram do relento,  E o descoberto sol abafa e cria!  A frialdade exige o movimento;  E as poças de água, como em chão vidrento,   Reflectem a molhada casaria. Avenida da Liberdade [1907], De cócoras. em linha, os  calceteiros, Em segundo plano vê-se o Palacete Seixas Photo: ©Lisboa de Antigamente Em pé e perna, dando aos rins que a marcha agita,  Disseminadas, gritam as peixeiras;  Luzem, aquecem na manhã bonita,  Uns barracões de gente pobrezita  E uns quintalórios velhos com parreiras. Não se ouvem aves; nem o choro duma nora!  Tomam por outra parte os viandantes;  E o ferro e a pedra — que união sonora! —  Retinem alto pelo espaço fora...