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4/18/17

Pedras no caminho do chão de Lisboa? Estão todas numa exposição

"Debaixo dos Nossos Pés" junta exemplos, reproduções e iconografia que explica como evoluiu o pavimento da cidade. A partir de dia 19 e até 24 de Setembro, no Torreão Poente da Praça do Comércio.

Se passar pelo Rossio, em Lisboa, e alguém fizer uma observação ao estilo “que chão bonito tem este largo”, não perca tempo e diga qualquer coisa como “foram os grilhetas que o fizeram”. E depois, quando já tiver a atenção da sua companhia, não perca o embalo e explique-se: “Os grilhetas eram, neste caso, os prisioneiros da Cadeia do Limoeiro, perto da Sé, que foram utilizados para algo produtivo, fazer a pavimentação da Praça Forte do Castelo de São Jorge e mais tarde de outros locais, como o Rossio”. Ora quem o diz é Lídia Fernandes, arqueóloga e uma das responsáveis pela exposição “Debaixo dos Nossos Pés” que, muito mais do que reunir fun facts como este, é um verdadeiro compêndio sobre como evoluiu Lisboa, a partir do chão que os habitantes foram pisando (e continuam a pisar).

Inaugura esta terça feira, dia 18, no Torreão Poente da Praça do Comércio e por aí fica até 24 de setembro. E Lídia Fernandes conta como surgiu a exposição. “Corresponde à implementação de um projeto de investigação sobre os pavimentos da cidade, especialmente aqueles que foram encontrados em meio arqueológico”, explica a investigadora, acrescentando que é muito mais do que uma história do chão de Lisboa.

Através deste vestígio da ação humana, quase que se pode conhecer a história da cidade. Se remontarmos aos pavimentos mais antigos registados arqueologicamente, conseguimos perceber que vários tipos de revestimento do solo foram feitos em resposta a situações concretas.”

Além do que está à vista no Torreão Poente, em breve “sairá também uma monografia, em princípio em inícios de maio”. Das escavações para o museu

A este ponto de partida segue-se a questão prática: o visitante vai poder ver pedaços de pavimento que foram retirados dos seus locais de origem? Também, mas só em casos particulares. Mais uma vez, Lídia Fernandes esclarece: “Não conseguiríamos nunca fazer exatamente isso de forma geral porque os pavimentos não são objetos, são estrutura arqueológicas, seria muito complicado retirar na íntegra pedaços originais e colocá-los noutro sítio”. Ainda assim, a organização de “Debaixo dos Nossos Pés” conseguiu fazê-lo em alguns casos: “Por exemplo, algumas lareiras do século V a.C., ou alguns outros pavimentos dos séculos IV e V a.C., da Idade do Ferro, pavimentos em terra batida queimada”.


Ou então, ainda mais complexo: “Conseguimos mesmo remontar uma calçada do século XVII, uma calçada que foi escavada muito recentemente, no Campo das Cebolas, na antiga Ribeira Velha. Foi desmontada quando foi feita a escavação arqueológica e os trabalhos de engenharia. As pedras foram guardadas e remontadas aqui na exposição. Um original feito sobretudo em calcário preto”.

Quando não são estes originais que estão expostos, há outras soluções e outras fontes de informação, sobretudo réplicas e iconografia. Admite a investigadora que aproximar os visitantes do trabalho dos arqueólogos, o que vão “fazendo meticulosamente ao longo de muitas horas de trabalho” é a “mais valia da exposição”. Mas também se revelou importante mostrar o que muitos pintores reproduziram nas suas obras, retratos de pessoas “a viver na rua, que não é só um espaço de passagem, é um espaço de vivência”. E quase todas as soluções de pavimentação têm “uma razão, um motivo ou uma origem bem justificada”.
Pelas pedras da calçada

Mas se há exemplos de revestimento tão antigos que remontam ao século V a.C., também há elementos bem mais recentes. E neste campeonato a vencedora destacada é a calçada à portuguesa. “Não temos propriamente exemplares, estão por toda a cidade”, justifica Lídia Fernandes.

Temos, sim, iconografia que representa o estudo dos projetos para a pavimentação da cidade. Por exemplo, o Rossio com o ‘mar largo’ [as ondas que percorrem toda a calçada], quando foi realizado, em 1843. E temos uma grande mais valia que é a exposição de moldes originais da calçada à portuguesa e de muitos desenhos que ainda hoje a ornamentam”.

E é na calçada que reside a raridade do caso lisboeta entre as cidades mais antigas da Europa e do mundo — já agora, outro fun fact: se alguém falar em calçada portuguesa, não se acanhe e diga em voz alta que também pode ser classificada como “calçada mosaico”. “É de facto uma invenção lisboeta, criada por um tenente-general para a Praça de Armas do Castelo de São Jorge. Depois do êxito nesse espaço, foi aplicada na restante cidade. Mais tarde a Câmara resolveu legislar no sentido de todos os passeios recorrerem a esse revestimento. Agora Lisboa já não é um caso único porque a calçada foi exportada para Macau ou para o Brasil.”

No caso da calçada à portuguesa, feita à base de calcário, aconteceu o que já tinha acontecido antes com outros pavimentos: “Tudo tem a ver diretamente com a matéria prima que estava disponível”. Lídia Fernandes faz referência à sala que a exposição “Debaixo dos Nossos Pés” dedica à riqueza geológica da cidade e que ditou o chão das ruas.


A terra, a areia ou a cal foram usadas ao longos dos séculos. Na época islâmica, por exemplo, eram os pavimentos em almagre que eram os mais utilizados, uma mistura de argila, areia e cal. Mais tarde seria também a tijoleira, sobretudo na época medieval mas também antes, na época romana. Basalto e calcário eram também abundantes na zona costeira da cidade e foram intensamente utilizados por essa razão.”

E é neste momento desta história que entram os tais grilhetas. Porque havia a necessidade de “ocupar os homens com algo produtivo”. O iluminado tenente-general que no alto do Castelo teve a ideia de fazer a calçada “queria mostrar trabalho e tinha mão de obra disponível, os soldados do quartel do Castelo”. Mas queria e precisava de mais, por isso chamou os presos para que a calçada fosse espalhada pela cidade. “E ainda hoje Lisboa continua a aplicar calçada em novas ruas, assim deverá continuar, mesmo que a Câmara Municipal esteja consciente de que não é um pavimento indicado para determinadas geografias, sobretudo pisos inclinados, já que o calcário é um material muito homogéneo que não causa atrito e pode ser escorregadio”.

Já agora, se alguém fizer a pergunta chave no meio de tudo isto — “mas afinal, quem era esse tenente-general?” — nada tema. Fun fact: era Eusébio Furtado.

Debaixo dos Nossos Pés, uma exposição do Museu de Lisboa, é inaugurada esta terça feira, dia 18 no torreão Poente da Praça do Comércio e está aberta ao público de 19 de abril a 24 de setembro. De terça a domingo, das 10h às 18h (última entrada às 17h30). A entrada custa 3 euros.

Notícia aqui 18/04/2017 

2500 anos a partir pedra para se chegar à calçada de Lisboa

A exposição Debaixo dos Nossos Pés conta diferentes momentos da evolução da cidade através das múltiplas técnicas, materiais, formas, composições e cores usadas para pavimentar a cidade desde o século V a. C. até à atualidade



Nasceu como um projeto pessoal de investigação da arqueóloga Lídia Fernandes e a partir de hoje, às 18.30, fica disponível para o público na forma de exposição que no Torreão Poente, na Praça do Comércio, conta a história da cidade através dos pavimentos que a foram revestindo, desde a Idade do Ferro até à atualidade. E, dentro de alguns dias, Debaixo dos Seus Pés - Pavimentos Históricos de Lisboa ganhará ainda a forma de monografia que sintetiza todo o conhecimento acumulado nesta área.

"As soluções de pavimentação da cidade de Lisboa são tão variadas, tão distintas entre si e a forma como se podem relacionar com as épocas que as suscitaram que foi nascendo esta ideia de criar uma espécie de corpus sobre os pavimentos da cidade", contextualiza a também coordenadora do Teatro Romano, um dos núcleos do Museu de Lisboa.


A primeira sala é dedicada à geologia da cidade de Lisboa porque "é a riqueza geológica da cidade que permite a obtenção de matéria-prima para a realização da sua pavimentação", assinala a arqueóloga Jacinta Bugalhão, outra das comissárias da exposição. Um pedaço de calcário com fósseis de conchas e um fuste da época romana esculpido nesse material e no qual são visíveis alguns fósseis é um dos exemplos de matéria-prima que se encontram nesta sala. Uma carta geológica da região de Lisboa e alguns fósseis completam a informação.

Argila, um dos materiais que nessa carta geológica se pode ver que existe em grande abundância, é precisamente o que serve de matéria-prima para os primeiros exemplares de pavimento, datados do século V a.C. que surgem na sala seguinte. Um pedaço desse pavimento, oriundo da zona do Castelo de São Jorge, mostra como a argila era sujeita ao fogo, ganhando um tom mais vermelho e maior resistência, depois de aquecida com fogo. Logo ao lado, um revestimento com seixo colado, numa reconstituição do existente no Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, dos séculos V/IV a.C. Logo à entrada desta sala, tal como depois em todas outras, um breve texto explica o contexto histórico e cronologia dos achados em exposição e um mapa situa esses mesmos achados bem como outros vestígios da mesma época.

No terceiro núcleo, destaque para a época romana com alguns exemplos de revestimentos mais decorativos, e outros de cariz mais prático, como o opus signinum, feito de pedaços muito pequenos de argila com argamassa, tornando-o mais resistente e impermeável. No espaço seguinte, dedicado à Idade Média, apesar de "estarmos num ambiente social e cultural distinto [do da época romana], mais fechado, existem linhas de continuidade - continua a usar-se o revestimento cerâmico e surge um sucessor do opus signinum, feito com argila, cal e areia que misturado cria uma argamassa bastante compacta, aumenta a resistência", explica Jacinta Bugalhão. Destaque ainda para um vídeo com a reconstituição do pavimento da Capela de Santo Estêvão, do claustro da Sé de Lisboa - "um dos poucos do século XIV que restam na cidade", evidencia Lídia Fernandes.


Um quadro do pintor holandês Dirk Stoop (1615-1686) que revela o aspeto do Terreiro do Paço em meados do século XVII (com o modelo ali mesmo a um olhar pela janela) é o pretexto para se falar da Lisboa do século XVI e da Rua Nova (ainda antes de ser dos Mercadores) e do facto de ter sido mandada pavimentar por D. João II por granito vindo do Porto. "Um dos impostos em vigor obrigava os barcos que aportavam à cidade a trazerem como lastro pedra", diz Jacinta Bugalhão. "Há vários documentos que atestam esta questão. Mas em termos de conhecimento arqueológico, nunca foi encontrado qualquer pavimento granítico em Lisboa. Há de haver uma explicação, só ainda não a encontrámos".

Segue-se um núcleo em que, devido à introdução do automóvel, se procura novas soluções, como a criada pelo engenheiro escocês John McAdam e que aqui surge exemplificada com os vários níveis de pedras, das maiores para as menores, tal como ainda hoje se faz. Mas sem a aplicação do alcatrão. Uma solução que, explica Lídia Fernandes, foi muito contestada na cidade, sobretudo pelas senhoras que não gostavam da poeira que se levanta quando passavam com os seus longos vestidos.

A calçada portuguesa ocupa o último núcleo, onde se mostram moldes em madeira dos desenhos depois transpostos para o chão, estudos e instrumentos utilizados pelos calceteiros.

"Tudo isto é uma evolução por tentativa e erro, e pela documentação consultada, e que foi muita, houve muitas tentativas de pavimentação da cidade, muitas mais do que se pode imaginar, e até épocas muito recentes. Por exemplo, no final do século XIX, as discussões que existiam na Câmara Municipal entre os vários vereadores sobre a tentativa de eleger um tipo de pedra para pavimentar a cidade, eram discussões extremamente acaloradas", sintetiza Lídia Fernandes.

Notícia aqui 18/04/2017

3/28/17

"Ficou, de facto, bonita a praça renovada do Cais do Sodré. Como ficou bem o Saldanha. Com a calçada portuguesa."

Provisório ou talvez não

Aos poucos, e à medida que a contagem decrescente para as eleições autárquicas começa a apertar, os estaleiros vão sendo levantados e as obras que martirizaram os lisboetas nos últimos anos vão revelando os novos e bonitos espaços da cidade. Do eixo central ao Cais do Sodré.

Uma boa nova: o presidente Fernando Medina parece ter feito orelhas moucas à opção do seu antecessor António Costa e à recomendação aprovada pelo executivo camarário de substituir por piso menos escorregadio a tradicional calçada portuguesa.

Saldanha

Cais do Sodré

Que resiste. E ainda bem. Ficou, de facto, bonita a praça renovada do Cais do Sodré. Como ficou bem o Saldanha. Com a calçada portuguesa.

Ainda que se mantenham algumas opções no mínimo questionáveis, como a ciclovia misturada com zonas pedonais ou passeios inteiros em que já nada há a fazer e a calçada foi mesmo desta para pior.

Mas além das obras - como as mencionadas - de maior monta, em custo e visibilidade, a cidade viveu nos últimos anos um nunca visto conjunto de intervenções menores (ao nível das juntas de freguesia) que agora estão ultimadas ou em fase de acabamento. E que, com aquelas, somam largas dezenas de milhões de euros.

Sofia Vala Rocha, na sua crónica da última edição do SOL, chama a atenção para o facto de o Tribunal de Contas ter chumbado o empréstimo de dezenas de milhões de euros que a Câmara Municipal de Lisboa foi pioneira a contrair junto do BEI. 

Pode ser um problema para o financiamento de tanta obra. Eventualmente, sim.

Eventualmente, não. O aumento exponencial do turismo na capital e a retoma do mercado imobiliário, sobretudo com o investimento na reabilitação e requalificação da zona histórica, particularmente da Baixa Pombalina, traduziu-se num incremento das receitas fiscais para a CML que - somados aos fundos garantidos - lhe dão desafogo financeiro.

Paradoxalmente, poucos dias depois de ter aparecido um enorme buraco na Av. de Ceuta/Eixo Norte-Sul - felizmente sem as consequências que uma cratera daquelas (cinco metros de diâmetro e oito ou nove de profundidade) faria temer -, a passagem superior na Av. da Índia em Alcântara viu ceder um pilar. Desencaixou-se e obrigou a corte do trânsito e à interrupção da passagem de comboios da linha de Cascais entre Algés e o Cais do Sodré. Um pandemónio.

A ponte é provisória há... 40 anos. A última intervenção mais apurada data do mandato de Santana Lopes, vai para mais de uma dúzia de anos: foi um reforço da estrutura... que continuou provisória.

A Câmara garante que as inspeções têm sido periódicas e nada de anormal detetaram, apontando como causa para o desvio do pilar o embate de um veículo pesado na estrutura lateral do viaduto. Solução: reparar e reabrir ao trânsito.

E lá vai continuar a estrutura provisória... até ver. Ou seja, pelo menos até à execução do Plano de Urbanização de Alcântara, que prevê uma área de construção de 300 mil metros quadrados - entre habitação, escritórios e comércio - com o óbvio impacto nos índices de tráfego.

O viaduto militar foi construído há décadas como estrutura de apoio ao porto e ao terminal de contentores. Nunca foi pensado para servir a cidade e muito menos o cada vez mais intenso tráfego entre o Cais do Sodré e a linha de Cascais ou a Av. de Ceuta. Tão só o acesso à zona portuária.

E assim continua. E há de continuar, se nada for feito, até porque o Plano de Urbanização de Alcântara não determina a sua substituição incondicional.

Pode dizer-se que a estratégia da Câmara de Lisboa de reduzir a acessibilidade automóvel à Baixa Pombalina ganha em eficácia. Mas pelos piores motivos.

João Semedo, em entrevista ao SOL da semana passada, pôs o dedo na ferida. Tal como Lisboa, o Porto mudou muito nos últimos anos. Rui Moreira prosseguiu a política de recuperação e requalificação das zonas históricas e emblemáticas da cidade muito obra de Rui Rio. E o Porto está como nunca esteve.

Cresce, aliás, a ritmo superior ao de Lisboa em matéria de procura turística. 

Tal como Lisboa, ou ainda mais, o Porto está na moda.

Mas Semedo chama a atenção para a necessidade do investimento na mobilidade e nas políticas públicas de habitação. «Não se pode afastar os portuenses da cidade».

A profusão do arrendamento de curta duração e o investimento em equipamentos e infraestruturas essencialmente vocacionados para o turismo, aumenta o risco de desertificação do centro e das zonas históricas a médio e a longo prazo.

É um risco até para o turismo. Porque o turista citadino procura cidades com vida. Em que a hospedaria se faz paredes meias com os residentes locais, de classe média, jovens, menos jovens, idosos. Os bairros típicos só são típicos se mantiverem a sua identidade própria, as suas gentes, com seus hábitos, suas práticas, suas culturas, com comércio tradicional, restaurantes e tascas que não são só para turistas, com a roupa pendurada ao vento, os beirais coloridos com floreiras ou varandas com vasos de barro e os putos a jogar à bola, porque o pião, os berlindes ou carrinhos de esferas já eram.

A fixação dos lisboetas em Lisboa e dos portuenses no Porto é essencial para que as cidades cresçam. Até no turismo.

Há obra feita, mas muito mais por fazer. Os incidentes do viaduto de Alcântara ou do buraco na Av. de Ceuta são meros exemplos do que está mal feito ou mal projetado. E podiam ter tido consequências trágicas. Por sorte, não tiveram.

Lisboa não pode viver de obras de encher o olho e manter-se eternamente provisória. Ou adiada.

Fotos: CML

3/27/17

Roc2c - San Diego Project - Three on Abbott

Last February, the Roc2c team traveled to the other side of the Atlantic Ocean, more precisely, to San Diego.

In collaboration with the team of R & S Tavares Associates, we executed in the Three on Abbott project, the exteriors in Portuguese Pavement Cobblestone.

The pattern shown is common to both teams, the "waves", existing in Lisbon and Copacabana.

The stone produced in Portugal, has been exported to the location of the project in Ocean Beach.

Some photos during the project execution, soon more photos of the final project.









Team Roc2c

3/24/17

3 Roc2c projects on granite portuguese pavement

Turismo Rural em Alentejo, Portugal

Zona Exterior de Restaurante em Lille, França

Moradia privado em Zona Centro, Portugal