Avançar para o conteúdo principal

"Calçadas de pedra do Recife têm origem em tradição portuguesa"

"As primeiras calçadas de pedra da cidade eram feitas com material vindo de Portugal, depois substituído por pedras nacionais"


Calçadas desenhadas da Avenida Marquês de Olinda, no Bairro do Recife
Photo: © Ashlley Melo/Acervo JC Imagem


Cleide Alves
cleide@jc.com.br


"A reforma do Bairro do Recife, no princípio do século 20, trouxe para a capital pernambucana uma nova maneira de se fazer calçadas: revestir o passeio com pedras de core diferentes formando desenhos, semelhantes às ruas de Lisboa. Assim como a técnica do mosaico era importada de Portugal, as pedras também vinham de além-mar, dando origem às calçadas de pedra portuguesa do Recife.

Remendadas aqui, maltratadas ali, as calçadas de pedra ainda existem e podem ser vistas no Bairro do Recife, algumas possivelmente com peças originais em seus desenhos de corações, flor-de-lis e liras. Ao longo dos anos, a prefeitura teve de recorrer a material nacional similar para fazer as correções de desgastes provocados pelo tempo e pelos pés de tantas gerações que imprimiram suas marcas nos caminhos de pedra da cidade.


Leia Também

Prefeitura recupera calçadas de pedra na Avenida Rui Barbosa 


As pedras calcárias de origem portuguesa, quebradas para montar os mosaicos, foram usadas nas calçadas do Recife apenas nas primeiras décadas do século 20, informa o arquiteto José Luiz Mota Menezes. Em 1969, ao promover o Concurso de Projeto para Revestimento dos Passeios Públicos da capital, a prefeitura resgata e leva para outras áreas da cidade a técnica do mosaico português, baseada nos modelos existentes no Bairro do Recife.

Porém, o revestimento é outro: pedras mineiras, produzidas em Minas Gerais e parecidas com as portuguesas, ou graníticas, diz a arquiteta Vera Freire, gerente geral de Projetos Urbanos da Autarquia de Urbanização do Recife (URB). A pedra granítica não é lisa como a portuguesa e a mineira.

Desenhos com tema floral, criados pelo arquiteto pernambucano Geraldo Santana, segundo lugar no concurso, passaram a estampar calçadas de pedra do Banco do Brasil e da Praça Ascenso Ferreira, na Avenida Rio Branco, Bairro do Recife; das Ruas Nova (Santo Antônio) e da Imperatriz (Boa Vista), hoje substituídas por blocos intertravados de concreto; e da Academia Pernambucana de Letras, nas Graças, Zona Norte.


ORIGEM

A origem dos passeios históricos da cidade foi recuperada pela URB, em 2000, na publicação Caminhos de Pedra – Calçadas do Bairro Recife, com textos, fotos e ilustrações. Dezoito anos depois, parte dos desenhos se perdeu ou está avariada. O losango com a estrela de Salomão, na calçada do Centro Cultural Bandepe (Centro Cultural Santander e atualmente ocupado pela empresa In Loco), não existe mais.

Mosaicos das calçadas de pedra da Rua Dona Maria César (detalhes de um padrão da Rio Branco), Rua do Bom Jesus (ramagens), Avenida Marquês de Olinda (mandalas e flor-de- lótus) e Avenida Rio Branco (ramos, folhagens, hastes, ramagens), entre outras, são destruídos por tampas de caixas de esgoto e telefonia, postes e luminárias.

Além dos passeios desenhados, a cidade tem outras calçadas de pedra portuguesa, mais velhos que os mosaicos. São os calçamentos feitos com pedra de lioz (calcária), também chamada de pedra de rio, que vinha de Portugal como lastro de navio, acrescenta o arquiteto José Luiz Mota Menezes.

“As pedras são maiores, lajes, que cobriam as calçadas do Ginásio Pernambucano (hoje modificada) e são encontradas na frente da Assembleia Legislativa, construções do século 19 na Rua da Aurora”, observa. No Recife Antigo, o piso de lioz está preservado na Rua do Bom Jesus, ao lado de uma calçada mais recente, de pedra mineira."


Notícia retirada do NE10

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Homenagem em Calçada Portuguesa para Heróis Portugueses

A cidade de Lisboa irá receber em princípios de Outubro o início dos trabalhos do monumento em calçada portuguesa que nasce em honra de todos os trabalhadores que estiveram na linha da frente e em destaque, no combate à covid-19.   Esta iniciativa surgiu pelas mãos da Assimagra (Associação da Indústria dos Recursos Minerais de Portugal) e foi proposta à Associação de Calçada Portuguesa, que rapidamente encontrou 5 parceiros disponíveis para concretizar esta ideia honrosa. Leia este artigo e conheça mais pormenores sobre este agradecimento público, que será feito aos heróis portugueses sem capa. Homenagem em Calçada Portuguesa para Heróis Portugueses Nasce uma grande área de Calçada Portuguesa artística em Lisboa Quem o diz à rádio TSF é António Prôa, secretário-geral da Associação de Calçada Portuguesa , que confirma que esta homenagem em calçada portuguesa será, a primeira obra original do género, a ser construída neste século. Este agradecimento será feito dev...

Largo dos Lóios, Porto / Lóios Plaza, Oporto

   Era por aqui que outrora, século XIX, foi construído um Mosteiro, algures entre o Largo dos Lóios, a Praça da Liberdade, a Praça Almeida Garrett e a Rua de Trindade Coelho, em pleno centro histórico da cidade do Porto.   Com o nome de Mosteiro de Santo Elói, daí o Largo ter inicialmente este nome. Deste mosteiro, hoje edifício das Cardosas, só a imponente fachada chegou aos nossos dias.     It was here that, in the nineteenth century, a monastery was built, somewhere between Lóios Plaza, Square of Liberdade, Almeida Garrett Square and Street of Trindade Coelho, in the historic center of Oporto.   With the name of Monastery of Saint Elói, from there this Plaza initially had this name. From this monastery, today the Cardosas building, only the imposing façade has reached our days. Rua dos Clérigos, Porto © Roc2c © Roc2c "LARGO DOS LÓIOS" "ANTIGO LARGO DE SANTO ELÓI"    Contudo, o Largo dos Lói...

Calçada do Sacramento in Lisbon

Calçada do Sacramento, Lisbon, Portugal Photos: Celso Gonçalves Roc2c